Itamar Assumpção

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Francisco José Itamar de Assumpção nasceu em Tietê (interior de São Paulo) no dia 13 de setembro de 1949. Bisneto de escravos angolanos, cresceu ouvindo os batuques do terreiro de candomblé no quintal de sua casa. Cresceu em Arapongas, no Paraná, onde se mudou aos 12 anos. Chegou a cursar até o segundo ano de Contabilidade, mas abandonou a faculdade para fazer teatro e shows em Londrina. Aprendeu a tocar violão sozinho e, ouvindo Jimi Hendrix e arranjos de baixo e bateria, apaixonou-se pelo baixo. Mudou-se para São Paulo em 1973 para se dedicar à música.
Itamar Assumpção foi um dos grandes nomes e contribuidores da cena alternativa que dominou São Paulo nos anos 70-80 do século XX, movimento que convencionou-se chamar de Vanguarda Paulista. A Vanguarda Paulista reuniu artistas que decidiram romper o controle das gravadoras sobre a produção e lançamento de novos talentos nos anos finais da Época das Trevas Modernas – anos anteriores a Internet. Os representantes desse movimento eram artistas que produziam e lançavam seus trabalhos independentemente das grandes gravadoras, eram os – hoje pecas de museu – LPs. Criavam suas próprias micro-empresas e gerenciavam a si mesmos.
Itamar Assumpção era nome frequente na lista de shows do Teatro Lira Paulistana em Pinheiros, palco que foi denominador comum a todos os membros da Vanguarda Paulista – todos os representantes do movimento invariavelmente por ali passaram.
Itamar, ao lado de Arrigo Barnabé, Grupo Rumo, Premê (Premeditando o Breque), dos Pracianos (Dari Luzio, Pedro Lua, Paulo Barroso, Le Dantas & Cordeiro e outros), marcou sua obra basicamente por não ter tido interferência dos burocratas das gravadoras, o que fez com que sua obra fosse tida por tais gerentes e críticos de cultura rasa, como “difícil”. Esses artistas, pela rebeldia, ousadia e audácia ganharam a alcunha de “Malditos”. Itamar detestava tal rotulo e retrucava. A polemica era outra área na qual dava-se bem, talentoso que era com as palavras não só no âmbito poético.
O duelo verbal lhe apetecia como forma honesta de defender a integridade do artista assim como – ao observador atento assim parecia – dava-lhe prazer triturar argumentos dos que com cultura limitada tentavam dirigir o processo de criação do artista. Em uma de suas tiradas mais famosas disse: “Se tivesse que ouvir conselho, pediria ao Hermeto Pascoal…” ou então: “Eu sou artista popular!”, bradava indignado.
Entre suas canções mais conhecidas estão Fico Louco, Parece que bebe, Beijo na Boca, Sutil, Milágrimas, Vida de Artista, Dor Elegante e Estropício.
Conhecido como “maldito da MPB”, o músico misturou samba com rock e funk, entre outros ritmos estrangeiros, em letras impregnadas de sátira e crítica social. Foi influenciado pelos trabalhos de músicos de variados gêneros, como Adoniran Barbosa, Cartola, Jimi Hendrix e Miles Davis, além de poetas como Paulo Leminski e Alice Ruiz.
Seus três primeiros LPs, (Beleléu, Leléu, Eu, 1980 lançado pelo selo Lira Paulistana; As Próprias Custas S.A., 1983; Sampa Midnight, 1986), foram relançados em CD pela Baratos Afins em 1994. Seu único LP produzido por uma grande gravadora e da Continental, intitulado Intercontinental! Quem diria! Era só o que faltava…, de 1988. Todos com a Banda Isca de Polícia.
Em 1994 lançou a série Bicho de Sete Cabeças (três LPs também na forma de dois CDs), acompanhado pela banda Orquídeas do Brasil. Em 1995 lançou um CD com músicas de Ataulfo Alves , novamente com a Isca de Polícia, que foi premiado como melhor do ano pela APCA.
Entre composições suas que fizeram sucesso com outros interpretes estão Nego Dito, com o sambista Branca de Neve, Já deu pra sentir e Aprendiz de Feiticeiro, com Cássia Eller, Código de Acesso e Vi, não vivi, de Zélia Duncan.
Faleceu em 2003, de câncer de intestino.
1980 | BELELÉU LELÉU EU
(Com Isca de Polícia)
01. Vinheta
02. Luzia
03. Fon fin fan fin fun
04. Fico louco
05. Aranha
06. Se eu fiz tudo
07. Vinheta
08. Vinheta
09. Baby
10. Embalos
11. Nega música
12. Beijo na boca
13. Nego Dito
1983 | ÀS PRÓPRIAS CUSTAS S.A.
(com Isca de Polícia)
01. Negra Melodia
02. Você Está Sumindo
03. Vide Verso Meu Endereço
04. Fico Louco
05. Noite de Terror
06. Oh! Maldição
07. Amanticida
08. Batuque
09. Peço Perdão
10. Que Barato
11. Denúncia dos Santos Silva Beleléu
1986 | SAMPA MIDNIGHT: ISSO NÃO VAI FICAR ASSIM
1. Prezadíssimos ouvintes
2. Idéia fixa
3. Navalha na liga
4. Movido a água
5. Desapareça Eunice
6. Tete tentei
7. Vamos nessa
8. Eldorado
9. Sampa midnight
10. Isso não vai ficar assim
11. Z da questão meu amor
12. Totalmente à revelia
13. Cadê Inês
14. Chavão abre porta grande
15. É o Quico
1988 | INTERCONTINENTAL!
(com Isca de Polícia)
1. Sutil
2. Adeus Pantanal
3. Pesquisa de mercado I
4. Oferenda
5. Sexto sentido
6. Pesquisa de mercado II
7. Ouça-me
8. Maremoto
9. Não há saídas
10. Mal menor
11. Zé Pelintra
12. Perdidos nas estrelas
13. Parece que foi ontem
14. Homem-mulher
15. Ausência
16. Filho de Santa Maria
17. Pesquisa de mercado III
18. Espírito que canta
1993 | BICHO DE SETE CABEÇAS
(com Orquídeas do Brasil)
1. Sujeito a chuvas e trovoadas
2. Venha até São Paulo
3. Custa nada sonhar
4. Quem é cover de quem?
5. Noite torta
6. Balaio
7. Vou tirar você do dicionário
8. Logo que eu acordo
9. Orquídeas
10. Se a obra é a soma das penas
11. Quem descobriu, descobriu
12. É tanta água
13. Sonhei que viajava com você
14. Me basta
15. Nobody knows
16. Penso logo sinto
17. Enquanto penso nela
1993 | BICHO DE SETE CABEÇAS VOL. II
(com Orquídeas do Brasil)
1. In the morning
2. Milágrimas
3. Ciúme do perfume
4. Coração absurdo
5. Tristes trópicos
6. Estropício
7. Quem canta seus males espanta
8. Tua boca
9. Lambuzada de dendê
10. Ei você aí
11. Aí que vontade
12. Onda sertaneja
13. Santo de casa
14. Vê se me esquece
15. Parece que bebe
16. Bicho de sete cabeças
1993 | BICHO DE SETE CABEÇAS VOL. III
(com Orquídeas do Brasil)
1. Estropício
2. Quem canta seus males espanta
3. Tua boca
4. Lambuzada de dendê
5. Ei você aí
6. Aí que vontade
7. Onda sertaneja
8. Santo de casa
9. Vê se me esquece
10. Parece que bebe
11. Bicho de sete cabeças
1996 | ATAULFO ALVES POR ITAMAR ASSUMPÇÃO
(Pra Sempre Agora)
1. Meus tempos de criança
2. Saudades da Amélia
3. Bom crioulo
4. Requebro da mulata
5. Mulata assanhada
6. Laranja madura
7. Pois é
8. Vai mesmo
9. O homem e o cão
10. Errei sim
11. Errei erramos
12. Sei que é covardia
13. Atire a primeira pedra
14. Nem que chova canivete
15. Na cadência do samba
16. Jubileu
17. Bonde São Januário
18. Gente bem também samba
19. Leva meu samba
20. Vassalo do samba
1998 | PETROBRÁS: PORQUE É QUE EU NÃO PENSEI NISSO ANTES
1. Cultura Lira paulistana
2. Abobrinhas não
3. Vá cuidar da sua vida
4. Pretobrás
5. Extraordinário
6. Vida de artista
7. Dor elegante
8. Pöltinglen
9. Vou de vai-vai
10. Por que eu não pensei nisso antes
11. Apaixonite aguda
2004 | VASCONCELOS E ASSUMPÇÃO: ISSO VAI DAR REPERCURSSÃO
(com Naná Vasconcelos)
1. Leonor
2. Cabelo duro
3. Próxima encarnação
4. Fim de festa
5. Justo você Berenice
6. Aculturado
7. Assim Naná ensina
2010 | PRETOBRÁS II: MALDITO VÍRGULA
1. Maldito vírgula
2. Samba enredo
3. Je t’aime mais que o Jerome
4. O tempo todo
5. Todo esse tempo I
6. Todo esse tempo II
7. Ir pra Berlim
8. Procurei
9. Más línguas
10. Breu da noite
11. Os incomodados que se mudem
12. Agora é que são elas
13. Longe demim
14. Elza Soares
2010 | PRETOBRÁS III
1. Anteontem (melô da UTI)
2. Eu tenho medo
3. Grude
4. Devaneio
5. Devia ser proibido
6. Persigo São Paulo
7. Pirex
8. Fundamental
9. Ninguém como você
10. Variações
11. Ciúme doentio
12. Enquanto uns ficam falando
13.Visita suicida
14. Que tal o impossível
15. Os incomodados que se mudem

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